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    Sobre o sono dos justos

    Também sobre a dor humana, sobre a angústia e sobre o vazio existencial

    Há alguns dias atrás comecei a sofrer de “angústia noturna”: aquela sensação de aflição – às vezes tristeza, ou ansiedade ou até mesmo uma junção de várias emoções negativas que surgem ao findar o dia e nos acompanha até a hora de irmos nos deitar. E inclusive atrapalha algumas pessoas de adormecerem.

    Eu já havia sofrido desse mal antes, da última vez foi há mais de 1 ou 2 anos atrás.

    Vez ou outra a gente fica triste mesmo, com motivo aparente ou oculto, é normal. Mas quando falo em sofrer de “angústia noturna”, me refiro a ficar dias seguidos tristes sem motivo aparente. Neste caso, precisamos nos deter e tentar compreender essa dor.

    Muitas vezes queremos calar a dor simplesmente, e tentamos abafá-la, com distrações, por exemplo. Como quando bebemos, comemos exageradamente, vamos à festas e encontros que não nos interessam, compramos coisas que não necessitamos.

    Algumas vezes tentamos lidar com a dor, procurando entendê-la, mas quase sempre erramos e nos frustramos. E é assim mesmo, a vida muitas vezes é tentativa e erro, até acharmos um caminho… A Filosofia é um caminho para muitos! É o meu caminho, foi o que me ajudou a sair de um ciclo sem fim de tentativa e erro.

    E erramos quase sempre porque ao tentar entender o que se passa conosco, nos limitamos ao uso da parte inferior da mente buscando lógica que justifique essa dor.

    Essa mente, que tradições antigas chamavam de kama-manas, é a mente que compara, critica, condena, justifica, supõe, fantasia e delira. Essa mente muitas vezes mente, não tem compromisso com a verdade. Gosta de lógica, sim, mas raciocínio lógico e pensamentos bem elaborados não são sinônimo de verdade. Guarde essa máxima!

    Quando tentamos lidar com a angústia apenas usando a mente inferior – kama-manas, começamos a supor coisas, inventar teorias explicativas e alimentamos isso com pensamentos elaborados que vão confirmando nossa suposição. E aí vamos tirando conclusões e o que antes era uma teoria, uma suposição, se torna uma certeza.

    Não curamos a angústia com a mente. Não com essa parte da mente que conhecemos, essa mente inferior, kama-manas, que também é chamada de mente de desejos e também mente egoísta.

    Precisamos ter como referência nossa Mente Humana, a parte superior, a parte nobre da nossa mente, aquela que nos define como seres humanos; as quais as tradições chamam de mente pura, ou manas. Manas é mente altruísta.

    Na prática: Pensar no outro, considerá-lo. Inseri-lo no seu coração. Dar seus melhores sentimentos. Servi-lo como puder. Não há nada mais curativo como contribuir.

    Eu mesma estou passando por isso agora, me regenerando a partir dessa escrita. Pois foi a forma mais imediata que encontrei de servir.

    A diferença entre as crises de angústia que eu tinha no passado e as mini crises que tenho tido agora, é que agora sei de um caminho que me conduz naturalmente para fora desse círculo de dor e aflição.

    Agora sei que posso finalizar o que ainda tenho neste restinho de dia em paz, com a consciência tranquila.

    Isso é a voz da alma humana.

    Não se trata de ter que servir, mas de ser impelido a servir, não obrigado, mas impelido naturalmente, porque é próprio da essência humana contribuir.

    Fazer algo pelo próximo, ou melhor? para a vida não é uma obrigação, é parte da condição de plenitude do ser humano, simples assim. Quando isso estiver claro servir e agir por dever não será pesado, será natural e indispensável. Porque isso é necessário para a felicidade, porque é o que traz paz e liberdade.

    Isso tem ficado claro para mim, e me sinto tão feliz em constatar isso, pois agora tenho um remédio de ação rápida e eficaz para a dor da alma. E me sinto mais feliz ainda em poder transmitir essa verdade para mais pessoas.

    Espero que essas palavras sejam úteis e que ajude a trazer paz aos corações!

    Que o nosso, seja o sono dos justos!