Muitas vezes, em meio a tantas demandas do nosso cotidiano, onde temos muito o que fazer, resolver, atender, etc e devido ao cansaço, nos falta muita vontade de realizar as coisas.
Muitas dessas vezes, agimos por pura “obrigação”, porque não tem outro jeito.
Com isso, é comum ficarmos irritados, impacientes e indispostos em nosso dia-a-dia. Ou seja, é comum ficarmos estressados. Mas, apesar de comum, não é normal.
Então, o que fazer quando algo que não é normal e é nocivo toma conta da nossa vida?
A primeira coisa que devemos fazer é analisar a nossa realidade: É possível alterá-la? Escapar dela? Vamos pensar em algumas situações comuns na vida de muitos:
Quem é mãe ou pai e precisa cuidar de uma criança, tem como simplesmente abandoná-la? Não é a opção natural…
Quem é empresário e precisa lidar com muitas decisões difíceis tem como simplesmente cancelar suas responsabilidades?
Se ele quer e acha importante seu trabalho, ele precisa lidar com essa carga, não é mesmo?
Quem precisa estudar, tem como escolher seus colegas?
Assim como quem trabalha em atendimento, pode escolher com quais clientes lidar? É possível selecionar só pessoas que ela considera fáceis de lidar?
Eu poderia dar vários outros exemplos, mas acho que esses acima já bastam para ilustrar o seguinte fato:
A partir do momento que começamos a viver determinadas experiências seja por desejo, como o desejo de ser mãe ou pai, ou seja por necessidade, como a necessidade de trabalhar, inevitavelmente teremos junto aquilo que costumamos considerar como “ônus”.
Ou seja, até nas experiências que apreciamos, teremos de “pagar um tributo” para participar.
Não dá para esperar que a maternidade seja completamente maravilhosa, por mais que se tenha um filho saudável e esperto. Nem dá pra esperar que o emprego dos sonhos será fácil e somente trará boas recompensas.
Então, voltemos à primeira proposta: Analisando a nossa realidade, é possível alterá-la? Escapar dela?
É claro que tem coisas que dá pra mudar, melhorar e também tem aquilo que podemos abrir mão, que não tem a menor importância na nossa vida.
Aliás, é sempre bom dar uma faxinada na nossa vida, porque frequentemente acumulamos coisas sem importância. Desde objetos, comportamentos e hábitos até relações.
Esse hábito de desapegar dos excessos e futilidades, abre espaço para implementar a proposta sugerida aqui nessa mensagem: A prática da boa vontade.
Se estamos carregando muita carga pesada desnecessariamente (ou seja, nos envolvendo excessivamente em situações cansativas e pondo nosso tempo e energia em coisas que não nos agregam em nada na vida), ficamos exaustos.
E quem se encontra exausto dificilmente consegue fazer as coisas com boa vontade, já que está usando toda sua energia para sobreviver.
Agora sim, vamos falar daquilo que não vamos mudar, como nos exemplos que mencionei, as situações que não temos como alterar e nem escaparmos: Emprego, maternidade, etc.
Se essas coisas são importantes, vamos valorizá-las. Como diz uma frase que vi há um tempo atrás - “Tudo que merece ser feito, merece ser bem feito”.
Isso faz parte da proposta aqui nessa reflexão: Fazer tudo bem feito e, acima de tudo, fazer com boa vontade.
Fazer com boa vontade é o que também pode ser chamado de “fazer com o coração”.
Sabe quando uma pessoa apaixonada por cozinhar prepara uma refeição e fica toda satisfeita quando o resultado do seu preparo é apreciado pelos demais?
Aqui a referência que quero dar não é a de um chefe vaidoso, que só espera reconhecimento, quero que pense em uma figura maternal, como uma avó, ou uma tia, ou um pai - que seja, alguém que fique feliz de verdade por servir bem.
Essas pessoas, que muitas vezes são pessoas simples, ao serem elogiadas, falam: “Fiz de coração”.
Talvez você, assim como eu, não seja a pessoa mais apaixonada do mundo em cozinhar, mas pode ser apaixonado por cantar, conversar, escrever, construir, consertar, etc etc.
Quando você faz o que te encanta, não o faz de coração?
Pois é, a ideia sugerida aqui nessa reflexão é que de agora em diante, você faça mais coisas de coração. Não só aquilo que ama, mas tudo que puder…
Eu sei que a princípio tem muitas coisas que teremos imensa dificuldade:
- Uma leitura ou estudo técnico entediante que precisamos fazer
- Um evento que não suportamos, mas que precisamos comparecer
- Pessoas que não queremos conviver, que achamos difíceis de suportar.
Seu caso talvez não seja nenhum desses, mas seja o que for, se se trata de uma situação inevitável na sua vida, não vale a pena vivê-la melhor?
O ideal é que possamos aprender a gostar de tudo que precisarmos fazer e que possamos nos relacionar bem com todas as coisas e com todas as pessoas.
Por mais que pareça utópico, podemos aceitar esse ideal como um referencial.
Não precisamos da perfeição, mas precisamos exercer a nossa capacidade de nos aperfeiçoarmos como seres humanos. Aperfeiçoarmos não só nossa técnica, mas nossa condição humana de ser racional e virtuoso.
Viver nos aperfeiçoando em virtude nos fortalece, nos faz perceber mais valor e sentido na vida, nos dá prazer em viver.
Pensa comigo:
Se você tem que estudar algo que lhe desagrada, mas que você precisa, não seria melhor tentar aprender a fazer isso com leveza em vez de resistência? Ou seja, não é melhor fazer as coisas com boa vontade em vez de má vontade?
Vamos usar o exemplo do estudo: Como você terá mais chance de aprender - estudando e desfrutando desse estudo ou estudando, mas odiando estudar?
Você pode me questionar: Mas como eu aprendo a gostar de algo que detesto?
Eu te direi: Calma, um passo de cada vez. A primeira coisa é justamente essa reflexão, pois ela abre a possibilidade de não mais odiarmos e resistirmos à uma necessidade.
Talvez uma segunda coisa é controlarmos o pensamentos de que não gostamos daquilo; ou seja, sempre que vier o pensamento: “Que ódio de ter que estudar isso!”, tome consciência e detenha-o. Não deixe que ele tome conta da sua mente e acabe te travando nesse processo e até te fazendo desistir de estudar.
Com esse pensamento sob controle, também teremos o nosso estado emocional sob controle e o nosso ódio terá reduzido.
E com menos ódio, teremos mais tolerância e suportaremos melhor fazer o que nos cabe, mesmo ainda não gostando.
E a cada vez que insistimos em fazer o que nos desagrada, nossa musculatura de tolerância vai ganhando tônus e será cada vez menos difícil fazer o que não gostamos.
E aí é quando podemos enfim experimentar fazer as coisas - outrora odiosas, e agora nem tanto - com boa vontade.
Podemos fazer isso com todas coisas que necessitamos fazer. Se parecer muito difícil, podemos começar pelas situações mais simples. E sempre nos lembrando de conquistarmos aos poucos, pois a intensidade nem sempre se sustenta. E mais importante que a intensidade é a constância.
Lembre-se: O objetivo dessa reflexão e dessa proposta é que a vida seja mais leve, seja mais fluida, mais feliz!
Vamos continuar esse papo na sessão de comentários abaixo e através de outros conteúdos.
